terça-feira, 23 de agosto de 2011

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Na Rua da Primavera

(se você procura por frequência tá no lugar errado, my friend!)

Quando me pedem dicas de NY eu tenho várias. Basicamente todas as que estão aqui nesse quase decrépito blog. Mas sempre começo com um lugar e termino frisando o quanto a pessoa precisa ir neste mesmo lugar - daquele tipo de dica que vem acompanhado de "tá, eu te disse isso tudo, mas se alguma coisa ficar de tudo o que eu te disse é isso: Você tem que ir ao Bread!".

O Bread é o meu restaurante preferido de NY. Mas assim, disparaaado. Eu fui lá umas duas vezes com o currículo dentro da bolsa para tentar uma vaga de garçonete, de tanto que eu gostava do lugar. Mas depois acabei desistindo da ideia, assim como desisti de um dia querer trabalhar da Disney (que era tipo meu dreamjob na adolescência): vai que perde a magia, né?

Tive a oportunidade de ir a restaurantes maravilhosos, desde fast food (algum dia eu falo do Chipotle aqui, hummm) até lugares mais finos e elegantes, onde você tem que reservar dias antes. Mas não tenho a menor dúvida quando aponto o Bread como meu lugar preferido para comer na cidade. Eu levei lá todo mundo que foi me visitar enquanto morava lá. E tenho certeza que todas as vezes que voltar é lá que eu vou estrear minha estadia.


Mas vamos ao que interessa - por que ele é tão incrível?

Eu realmente acho que posso estar fazendo um escarcéu e se você for lá pode não se maravilhar tanto quanto eu. Mas a simplicidade do lugar me encanta imensamente. O couvert? Pão com azeite e vinagre. Mas que pão! Uma velinha flutuante e uma florzinha delicada fazem companhia aos pratos simples e deliciosos na mesa de mármore. O clima dá o tom do jantar, que ora pode ser romântico ao som de músicas italianas de amor, ora é uma noite animada com os amigos bebendo vinho e espumante com uma batida latina no ar. Não tem um estilo, é uma experiência única e ponto.

Como a maior parte dos estabelecimentos nova iorquinos, o Bread se caracteriza pela multi-nacionalidade da equipe. Se ouve diversos idiomas, inclusive um português vindo de uma das charmosas garçonetes. A origem da comida? Italiana, não se confunda com o gerente francês. O carro chefe é ninguém menos que o pão, of course. Os paninis são uma delícia, e podem vir acompanhados de salada ou sopa (a de tomate é a melhor que já comi e custa apenas alguns dólares). Mas o que eu recomendo mesmo é o prato de polenta frita coberta com queijo gruyere e cogumelos.



A entrada (que eu farei uma breve descrição mais abaixo) fica meio macabra durante os meses de inverno. Mas basta a temperatura subir um pouquinho para que as portas e janelas se abram para a rua e os banquinhos de ferro formem um lounge ao ar livre, tornando o restaurante super atraente para quem passa. Ao entrar você se depara com um balcão e mesas pequenininhas - bom, nessa cidade é normal que o espaço seja reduzido, né? Mas basta você dar alguns passos mais para dentro para se surpreender com o resto do restaurante. E com os detalhes, únicos daquele lugar.







Fora isso, a Spring Street é famosa por um certo restaurante Balthazar, e outros mais badalados. Mas o que me chama a atenção mesmo nela são esses estabelecimentos mais simples e distantes da populosa Broadway (a rua de compras no Soho, sim é a mesma Broadway dos teatros, ela é tipo uma Av. das Américas que corta a cidade toda). Depois de comer uma comida leve e deliciosa no Bread a boa é comer um pudim de arroz no Rice to Riches ou um crepe de doce de leite com amêndoas no La Crêpe, um do lado do outro, bem na saída do metrô 4,5,6. Hum!!!!


Mas o melhor de tudo mesmo para mim foi como conheci, que representa como a cidade vai se apresentando aos poucos aos moradores: andávamos na rua (eu e minha fiel escudeira Gaby), mortas de fome e de frio (Jesus, que frase impactante). Paramos em um restaurante, sentamos, pedimos o cardápio e cada uma um prato. 5 segundos depois, olhamos uma para a cara da outra e decidimos: não é aqui que vamos almoçar! Saímos nas condições mais adversas - cativamos muito a garçonete que teve que cancelar o pedido - e de repente, no meio do nada, na pacata Spring Street, vemos um toldo preto. O que é isso?! Que horror, qual restaurante que se preza fica fechado assim? E para entrar você ainda passa por uma pesada cortina de veludo vermelha. Ui, alou Edward? Bill? Eric? (pra quem não curte uma nerdice, são todos meus amigos vampiros). Quando a cortina se fecha atrás de nós, isolando o clima gélido do inverno e dá lugar ao clima mais aconchegante do mundo, e mais democrático também, é que a gente decide: esse é o nosso lugar!


Bread Nolita
20 Spring Street, New York, NY 10012(212) 334-1015

sábado, 8 de janeiro de 2011

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Traz pra mim?

"Opa, tá indo pro estrangeiro? Me traz... e mais... e se der um...! Te pago na volta, valeu!"


Antes de mais nada, eu não posso ser injusta e deixar de reconhecer que é realmente irresistível tentar ter acesso (mesmo que remoto) aos maravilhosos, justos, de última geração produtos dos Estados Unidos. Mas quando não somos nós que estamos viajando, há de se consultar um grande aliado na hora de pedir encomendas para quem quer que seja: O bom senso.

Uns nascem com, outros sem. Mas essa não é uma daquelas características que você não pode desenvolver ao longo da vida. Exige prática, meditação, olhar crítico e muito desapego às vezes. Mas, como parte de toda boa educação, um pouquinho de simancol (vide descrição aqui) não faz mal a ninguém.

Estando do lado da pessoa que recebe encomendas, venho numa tentativa amigável de abrir os olhos daqueles que não vêem a hora de receber um home theater inteirinho nas próximas férias suadas daquele amigo que vai para Miami. Não estou dizendo que se deva abolir o "encomendar", ainda mais vindo de um país que nem o nosso (vide post abaixo) onde tudo é ridiculamente caro. Uma coisinha aqui, outra acolá, lá vai. Mas sugiro que, antes de pegar o telefone (ou facebook, mensagem, e-mail, hoje em dia as encomendas chegam por todos os meios), pare e reflita sobre as questões sugeridas abaixo:

1- Para quem você vai pedir?

Curiosamente as pessoas que eu menos me importaria de levar alguma coisa são as que menos pedem, ou nunca pedem (tirando você, Camila). Isso deve ter alguma relação né? Família, namorado e amigos mais próximos não costumam me mandar uma wishlist. Muitas vezes eu até ofereço e fico feliz em poder fazer alguém querido pagar 3 vezes menos o preço do que nas nossas terras.
Mas, ainda mais depois da criação e popularização do Facebook (thanks Mark), o que tem de gente com grandes ideias de como eu devo encher a minha mala não tá no gibi (minha expressão favorita de todos os tempos)! Gente que não fala comigo, que não me conhece, que não sabe de onde eu venho nem quem eu sou não hesita em entrar em contato e jogar a bomba.
Então vamos lá... é chato dizer: "Olha, eu até traria, mas eu nem gosto tanto de você assim." Dá um tempo né?

2- O que você vai pedir?

Três quesitos são importantes nesse tópico: Peso e tamanho, por motivos óbvios de bagagem - afinal, quem viaja também está com instintos nada saudáveis de consumo, não vamos pedir um tênis daqueles estilo pantufa (um Keds ainda vai né) e ainda implorar pela caixa.

Preço: Ponha isso na cabeça: o problema é seu se você quer pagar U$1000 num gadget qualquer, há de se ter sensibilidade de não encomendar nada muito caro. Primeiro porque há a tal da cota - que eu bem acho que agora só vale para notebooks e câmeras filmadoras, mas e daí, o nervosismo de se levar coisas muito caras na mala transparece na hora de passar na alfândega e dá a maior dor de cabeça! E segundo e mais importante, é muita responsabilidade carregar de um país para outro algo que custe muito caro que não seja seu. Vai que perdem a sua mala? Vai que você perde/quebra/arranha/derruba o negócio? Vai que roubam? Sei lá, tudo pode acontecer! E por mais que o encomendador diga ao encomendado que não o culparia de nada, não é bem assim né... ninguém se sentiria bem numa situação dessas. Então se acalme, acho que U$3oo é o ultra-top que você pode chegar numa encomenda (lembrando de ver se você se encaixa no primeiro tópico desse post).

3- Como a pessoa vai ter acesso à sua encomenda?
3.1 - Como você vai pagar?

Eu sei que tem gente que ainda não conhece as maravilhas do comércio online, mas agora é a hora. Um inofensivo pedido de Moroccan Oil pode não ser tão simples assim. Nesse caso, é algo difícil de achar, então corte caminho e compre pela internet pra pessoa não ter que ficar indo de porta em porta e criando mais raiva de você a cada estabelecimento. Mas até mesmo um creme da Victoria's Secret (o que, by the way, eu acho que há uma ilusão de quão maravilhoso é, que cheiro ruim gente!) que você pensa que é a coisa mais tranquila de se pedir é perrengue. A pessoa tem que ir até a loja (como ela vai? metrô? ônibus? taxi?), pagar com o próprio dinheiro, e carregar aquilo tudo até em casa - porque pesa, então não pode ser só uma passadinha no meio do dia. Tá entendendo? Eu sei que pode parecer exagero, mas eu já passei muito tempo refletindo sobre isso e não estou poupando nenhum detalhe!

Outro aspecto é: Beleza, você pediu uma coisa que custa U$77. Aí tem 8% de imposto (em NY), vezes 1.7 que é o real hoje, dá +- R$158. Mas putz, nunca dá certinho né? De quando vai ser o dólar? Você vai pagar em dinheiro? Quando? Dá antes? Mas aí a pessoa tem que transferir para dólar? Ou, no meu caso, pago de uma conta americana em dólar e a pessoa me dá em reais! Putz!

Entãaao, para mim a premissa de qualquer encomenda pós-2008 (acho que é um bom ano) é: compra pela internet e manda entregar lá em casa! É melhor pra todo mundo, você tem a previsão de entrega, não precisa fazer a pessoa sair de casa, não tem erro na hora de pagar e mutias vezes o negócio já vem embaladinho pra ser levado numa viagem.

Que tal??! Heinnn?

Pois é, mas isso sou eu. Tem gente que não se importa, então taca TV de plasma na cota deles!

sábado, 1 de janeiro de 2011

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A shopping trip might be a good idea for Brazilian consumers

Picture this: A Brazilian couple runs crazy through Florida’s Boca Raton Town Center at 8:58pm, two minutes before the mall closes. Carrying Louis Vuitton, Giorgio Armani, Victoria’s Secret and Apple shopping bags, they’re still not happy with the purchases and make the employees roll their eyes when trying on every color of the same-sized polo t-shirt at Abercrombie and Fitch.

When they finally get to checkout, a surprise hits them: each client can purchase up to 20 items. They look over the pile of clothes and start calling friends to split on their cards. Secretly, the manager wonders to the last sales clerks on the store: “Why are they buying so many clothes? I bet they’re taking it to their country to sell”. He overlooks the number displayed on the cashier: almost U$2000 (yes, in denim, t-shirts, polos and hoodies).

Similar situations happen all over the country, from Florida’s outlets to New York’s populated Fifth Avenue. From Forever 21 and H&M to Bergdorf Goodman. Brazilian consumers have, increasingly in the past decade, been spending their recent-converted dollars and bringing home what there, would cost sometimes three or four times more.

Yes, it’s always fun to shop overseas. You get to buy things you’ve only seen on TV or heard of, and in the case of cities as New York or Paris, the fashion lovers have access to the haute couture freshly out of the runway.

However, the real reason for the growing number of Brazilian consumers in north-American lands is mainly one: the price difference in almost every department. Even with a booming economy, foreign investments, job creations and through the last years, a stronger currency, Brazilians face outrageous prices at home. The high taxes hit most products, the national ones and especially everything that is imported, such as designer brand clothes, electronics or cars, is taxed so high that it becomes a better deal to buy a ticket, pay for a hotel and travel abroad to do some serious shopping once or twice a year.

The prices in Brazil have always been way higher than those in the United States, but what has encouraged the growth in consumerism abroad has to do with a growing lower middle class in the Latin country, in a world in recession. They’re called the Class C, which earns between U$600 and U$2,600 a month and represents today 95.4 million from the 192 million people in Brazil. They detain 46% of the Brazilian income. While a big range of Americans struggle to keep their jobs and pay the mortgage, a growing number of Brazilians haven’t felt the impact of the crisis as strongly, and can’t wait to trade the sky high prices of almost every product in their country for the wonders of the tempting American market.

Their currency, the real, has strengthened 35% against the dollar since the beginning of 2009. And even though one real is still worth almost half a dollar, it is still a better deal for consumers to make their purchases in the North American country.

Up until last year, a Brazilian who traveled abroad could bring home not more than U$500 in purchases, whatever nature they were. Recently, the law has changed and became more flexible: only digital cameras and computers are subjected to customs. That made it easier for people who traveled with other purchases in mind, such as a large group of soon-to-be mothers. It is very usual to see pregnant women, accompanied by their husbands or someone in the family, like sister or mother, to travel to the US to make the whole shopping for the baby’s needs. They come home with strollers, car seats, clothes, cribs and ever diapers and baby food, which are significantly cheaper than in Brazil.

When you fly from the US to any country in the world, according to American Airlines and US Airways, you have the right to take one bag with 50 pounds at most. Brazil is the only country where that limit is pushed – doubled, or... almost tripled: two bags with 70 pounds each are allowed.

This is a problem present in other third world countries as well, but Brazilians are a particular case. They admire the American consumerism culture and have become a known market for retailers in America (such as Aventura Mall and Sawgrass Mills Mall in Florida, which are hiring people that speak Portuguese). One of their preferred destinations to travel and shop is Buenos Aires, Argentina (it’s cheap to go, and their currency is worth less than the Real), which is an example that even in a country that faces harder times than Brazil, the market prices are still lower and worth the trip.

With the recent election of Dilma Rousseff, President Lula’s favorite, a hope has struck the Brazilian people. Will she take over this rising economy and make it fair that the hard-working people who pay enormous taxes don’t need to leave their country just to shop? That way, maybe, visiting the pyramids in Egypt might be a good getaway. And purchases? Just souvenir.


Escrevi em inglês pois tinha que fazer uma redação para a faculdade aqui. Qualquer errinho a gente releva, né?

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

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Home, expensive home.

É complicado se virar sozinho em Nova Iorque, mas nada se compara ao o desespero de ter que arrumar um lugar para morar na cidade. Localização, preço, tamanho, roomates, tudo tem que ser levado em consideração antes de se arriscar a entrar em um dos mercados imobiliários mais caros do mundo.

Neste ano eu morei em dois lugares, espero que possa ajudar os futuros desesperados com a minha experiência.

Quando decidi que vinha para cá, só sabia de duas coisas: queria morar sozinha e queria morar em Manhattan. Eu não tinha nem noção de bairro algum, portanto não tinha preferências. Através do site da NYU, onde eu iria fazer o curso, pesquisei diversas opções que eles indicam para estudantes. Aí apliquei (tem que aplicar! vários formulários e você está sujeito a aceitação!) para o 92nd Y e consegui um quarto grande individual, que eu já contei nesse post aqui.

Foi a maior sorte, pois o que eu menos precisava enquanto ainda estava me ambientando e adaptando à cidade era ter que lidar com vizinhos, baratas (a faxineira de lá matou uma pra mim!), contas e o aquecimento não dar vazão (como, coincidentemente, está acontecendo agora no muquifo atual em que moro. brrr!).

Esse esquema de moradias estudantis é uma mão na roda, como diria o meu pai. O preço é alto, mas você não tem que se importar com nada. Faxineira uma vez por semana (descobri que os dormitórios de faculdade não têm isso!), assistência 24hrs, porteiro e elevador (não sei qual dos dois é mais raro por aqui), cantina, academia (à parte, mas apenas 3 andares abaixo), café, etc. Além do quê, você está sozinho sem estar realmente sozinho... Apesar de eu ter escolhido o quarto individual, no meu andar tinha um monte de quartos, e uma certa convivência nas áreas comuns - onde fiz uma amiga incrível (a Gaby, falei dela no post da moradia). Sem falar na segurança, o que faz qualquer um dormir melhor.

Agora eu moro em um studio (como eles chama kitinete aqui, muito mais chique, sorry), onde pago um pouco mais de U$100 a mais por mês, mas vivo como uma nova-iorquina: no frio, sem elevador (ainda bem que moro no 1o!), sem porteiro, sei lá quem são meus vizinhos, tenho 6 chaves no chaveiro, e sem a mordomia de alguém limpar para mim. É tudo uma questão de preferência... Como sabia que iria receber convidados no fim do ano, preferi procurar um outro lugar, onde tivesse mais espaço para eles, e também que não tivesse que pagar por dia por alguém a mais. E também porque realmente, um banheiro para chamar de seu faz diferença.

Dei a sorte de encontrar um apartamento num ponto maravilhoso da cidade. Fica na 8a avenida, entre as ruas 55 e 56, Midtown West. O que isso quer dizer, caro turista? Quer dizer que estou a 3 quadras do Central Park, na entrada do Columbus Circle, que é uma praça linda onde passam carruagens e tem diversas lojas. Estou a 7 quadras do Times Square e todas as pecas da Broadway, e acima de tudo, quer dizer que tenho acesso a 4 linhas de metrô! E aí, meu amigo, é que uma maravilha! Daqui vou para qualquer canto, enquanto onde morava antes (Upper East Side), só tinha acesso à linha do lado leste, que sobe e desce a ilha. Certamente este é um fator que deve ser considerado na hora de checar se você está fazendo um bom negócio. Você mesmo vai ao mapa e certifique-se de há alguma linha de metrô por perto. É o transporte principal da cidade (a não ser que você seja a Blair), então não há nada mais prático do que ter um a algumas quadras de casa. O que não é muito difícil, pois as linhas de NY são muito bem boladas e cobrem a maior parte da cidade.

Mas vamos ao processo pelo qual eu passei para achar essa kitin... ahn, studio magnífico!

Se você ainda não foi apresentado, aqui vai: Craigslist, leitor. Leitor, Craigslist. O site Craigslist (agora tem um aplicativo para o IPhone também, mas não recomendo) é a fonte mais famosa e popular de busca por apartamentos nos EUA, e principalmente em NY. É um site mal feito, horroroso e nada auto-explicativo. Mas é o que temos! Então vamos lá:

1 - http://newyork.craigslist.org/

Entrou? Bom... Aí vem a primeira pergunta: Por quanto tempo você pretende ficar na cidade? Se você for ficar até 1 ano, o ideal é entrar em sublets/temporary (3), mas se for ficar 1 ano ou mais, vá em apts/housing (1). Sublet é quando uma pessoa subloca (tá certo isso?!) o apartamento dela para você por um período de tempo em que ela estará viajando ou por qualquer outro motivo. Existem diversas formas de fazer isso, e eu não sou nenhuma expert. Mas comigo foi assim, enquanto o casal que mora aqui está na Europa, eu estou subletting o apê deles!

Se você for ficar mais de um ano, sorte a sua, pois pelo mesmo preço cobrado em alugueis de curta-duração (short-term rents), você arruma um lugar bem melhor se alugar por mais tempo.
Dependendo do seu orçamento, pode ser uma boa procurar um quarto em um apartamento e dividir com outras pessoas, aí vai no rooms/shared (2).


Bom, agora que você está vendo um montão de links desordenados na sua tela, pode começar a filtrar: a começar pela localização. Manhattan, Queens, Brooklyn, Bronx, etc. Eu não tenho experiência fora de Manhattan, mas já ouvi dizer que Astoria, no Queens, é um lugar tranquilo de se morar, e mais em conta do que a ilha. Já o Brooklyn, onde todos dizem ser o máximo, eu concordo parcialmente. Gosto de Williamsburg, mas para mim, o bacana é só uma rua, a Bedford, onde os alugueis facilmente se comparam com os preços exorbitantes de Manhattan. De novo, fique de olho se onde você for morar tem alguma linha de metrô ao alcance dos pés, senão há grandes chances de ser uma roubada.

Depois, coloque o preço máximo do seu orçamento, e eu indico colocar os que têm fotos. Ah, e se você tiver um animal de estimação tem lá uma opção para isso. Muitos prédios não permitem!

O NY Times Real Estate também é uma boa opção para quem vai ficar por mais tempo na cidade. Mas se o seu negócio é short-term e você não quer pagar mais de U$2000 (que é quanto os corretores vão te 'cobrar'), entre de cabeça no Craigslist.

Mas, cuidado. Nós que somos cariocas bem sabemos da natureza duvidosa de certos seres humanos! Então não vá achando que tudo são flores, por isso o ideal é você arrumar um lugar que possa ficar por algumas semanas enquanto vai visitando os prováveis lugares em que você considera morar. É ver para crer.

Aqui tem boas dicas sobre os famosos "scams" do Craigslist.

Algumas dicas:
  • Em Manhattan, mais ou menos a partir da rua 96 para cima é o Harlem. Que é bacana, mas não é tão valorizado quanto Manhattan. Quanto mais para cima, menos "bonito". Até a rua 110 mais ou menos é o Spanish Harlem, um lugar com muitos imigrantes hispânicos, e hoje em dia em sua maioria, mexicanos. É por lá que tem aqueles coros famosos de igreja, com música Gospel. Enfim, muitas vezes as pessoas anunciam imóveis no Harlem como se fosse o Upper East Side, e cobram o preço do lugar. Não caia nessa!
  • Boas perguntas a se fazer são: Onde fica o metrô mais próximo? Qual andar? Tem elevador? As contas estão incluídas (gás, luz, internet)? Tem barulho da rua (fundos/frente)? Tem problema com ratos (isso é sério, tem áreas conhecidas por isso!)?
  • Palavras-chave no título do link: Doorman building; quer dizer que tem porteiro e aí fica bem mais caro - Exposed brick; tijolos "à mostra", é considerado um charme a mais nos apês - Closet space; não sei você, mas eu preciso de armários! - Washer/Dryer; é um luxo, mas se o apartamento vier com máquinas de lavar e secar, é uma ótima! Furnished/Unfurnished; se for ficar por pouco tempo, opte pelos apartamentos já mobiliados.
  • Verifique se é um studio ou se é um quarto em um apartamento, às vezes é complicado de distinguir.
  • Se o preço for menor do que U$800 não se anime - provavelmente não será por mês, e sim por semana ou por um período menor.
  • Não compre tudo o que ouvir/ler. Faça sua pesquisa - pegue o endereço exato e vá ao Google Maps. Lá você pode ver as linhas de metrô perto do local, e com o Street View, passeie pela área. Eu fiz isso nos dois lugares que morei, e quando cheguei parecia que já sabia onde estava! É sempre legal morar num lugar que tenha comércio por perto, e não em alguma área isolada.
Pronto, vamos dizer que você achou um lugar bacana, dentro do seu orçamento, e no período exato que você quer ficar! É meio complicado comprar utensílios para casa em Manhattan, lembro que quando ainda não conhecia nada, tive que ir à Macy's comprar travesseiros e fronha (Ralph Lauren e Tommy Hilfiger. Realmente não há necessidade!!!). Carecendo de humildade, Manhattan acaba com a gente nesse aspecto. Para quem conhece a Ikea, que eu saiba a mais próxima fica em New Jersey, assim como o Wal-Mart. Pelo menos tem um Target abrindo no Times Square, mas enquanto isso o mais próximo fica no Brooklyn, que não é tão longe. Eu sou super adepta das compras online, pode ser uma saída nesse caso. O mais fácil por enquanto é ir em alguma Bed, Bath and Beyond, que não é tão barata quanto os citados acima, mas dá de 10 nos travesseiros de designer da Macy's!

No site do Off-Campus Housing da NYU, tem um guia bem completo sobre mudança para NY. Ele inclui perguntas indispensáveis, uma breve explicação dos bairros, questões burocráticas e etc. Vale a pena conferir.

Aqui vai uma lista de opções que me passaram no 92nd Y quando eu saí de lá. Se você está com um orçamento mais apertado, um albergue pode ser uma boa opção. Os chamados Student Housing geralmente são mais caros, mas têm uma estrutura mais completa.

Student Housing:

Educational Housing Services - 1-800-297-4694 - studenthousing.org

The Pennington - 215 East 15th St. - 212-673-1730

University Place - 212-400-3052 - nystudenthousing.com

New York Habitat - 212-255-8018 - nyhabitat.com (apartment sublets)

for Employed Men:

Kolping House - 165 East 88th St. - 212-369-6647

for Employed Women:

Markle Evangeline - 123 West 13th St. - 212-242-2400

Hostels:

Tone on Lex (has private rooms) - 179 East 94th St. - tonehostels.com - 212-289-0010

American Dream Hostel - 168 East 24th St. - 212-260-9779

Hostelling International - 891 Amsterdam Ave. @ 103rd St. - 212-932-2300

Hostel Fresh - 330 W. 95th Street @B’way - hostelsclub.com

www.hostelweb.com

Hotels:

Gershwin Hotel - 7 East 27th St. - 212-545-8000

Murray Hill Inn - 143 East 30th St. - 212-545-0879

Franklin Hotel - 87th betw. Lexington & Third Ave. - 212-3691000

Amsterdam Inn - 340 Amsterdam Ave. @ 76th St. - 212-579-7500

Hotel Belleclaire - 250 W. 77th St - 212-362-7700

Jazz on the Park - 36 W. 106th St - 212-932-1600

West Side Inn - 237 W. 107th St - 212-866-0061

Sacred Heart Residence (Women Only) - 432 W. 20th St - 212-924-0891

YMCA’s:

Vanderbilt YMCA - 224 East 47th St. - 212-756-9600

West Side Y - 5 West 63rd St. - 212-875-4273

www.ymcanyc.org

Summer housing for grad students, interns, visiting scholars:

International House - 500 Riverside Drive - 212-316-8400 - www.ihouse-nyc.org

No mais, não se assuste com os preços exorbitantes e os apartamentos horríveis que você vai encontrar. Há muita procura e pouca oferta, tudo vale muito por aqui. Vou citar um exemplo de um apartamento que eu olhei antes desse, que sairia por U$1475 no Chelsea:


Olha o tamanho!!! E eu já estava tão desesperada achando que não ia arrumar lugar nenhum que estava considerando. Só desisti depois de perceber, e a dona confirmou, que não havia armário algum!

O meu é mínimo também, mas é uma graça. Tem tudo o que eu preciso, e ainda tem uma varandinha, com churrasqueira e tudo. Mas só deve ser utilizada no verão... É daqueles prédios com escada de incêndio bem característicos.
Partes ruins: A TV desliga sozinha de meia em meia hora; como fica em cima de vários restaurantes, às vezes entra o maior cheirão de comida; o aquecedor é incontrolável; não entra um raio de sol sequer dentro de casa!



Morar em Nova Iorque não é nada fácil, a rotina aqui é muito desgastante, os preços são os maiores do país e falta limpeza. E a luta já começa ao procurar um lugar. Mas não poderia ser diferente né?

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

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Para não virar picolé

É muito comum ver brasileiros portando roupas super invernais em outros países, mesmo que a temperatura esteja tão quente quanto no país de origem.

Eu entendo a frustração de morar num lugar que no verão faz calor, na primavera faz calor, no outono faz calor e no inverno... hum... faz calor! A gente não se veste, a gente se tapa. Eu sou uma carioca que odeia calor, não sou daquelas pessoas que tá suando mas tá feliz. E fico felicíssima no frio! Só faltava eu correr na neve pelada de felicidade quando cheguei em NY em Fevereiro (sim, aquele mês que teve a maior nevasca dos últimos 70 anos), e no Rio marcou 46 graus. Sai pra lá!

Mas devo dizer também que os cariocas são muito radicais, o que talvez contribua para essa necessidade de usar as roupas mais invernais em outros países mesmo quando está calor (tô suando, mas tô linda!). Tem gente que não suporta ver alguém de bota, cachecol (ou qualquer lenço que for, meia calça ou um casaco que cubra abaixo da cintura que já vem cortar o clima: Tá achando que tá na Europa?!! Isso aqui é Rio de Janeiro! Aí também não concordo. Sou adepta de todos esses acessórios, porque sim, gente, às vezes faz frio lá também!

Mas há muitas dúvidas de o quê vestir quando você sai da sua zona de conforto (não a minha, no caso!) e vai se aventurar por bandas mais... geladas. Eu realmente presto muita atenção na turistada por aqui e vejo tanta gente morrendo de frio que fico com pena.

Para começar, você deve aceitar o fato: Ou você está sexy ou você está quente. Não, não dá para adaptar um look sensual e atraente no meio do inverno e da neve. Botas de salto fino geralmente, geralmente, são feitas para outro propósito que não proteger seus pezinhos. O bumbum é outra parte que sai perdendo no inverno - use um casaco generoso que vá mais abaixo do que o costume. E sim, você vai parecer muito maior do que realmente é, mas veja pelo lado positivo: todo mundo parece!

Eu não sou expert em roupas de inverno, ainda tenho muito frio pra passar nessa vida, mas tenho pavor de ficar congelando na rua. Então eu presto atenção nisso! Dicas: Ao fazer turismo em um lugar muito frio, se você não tiver acostumado, tome muito cuidado, pois congelar dedos não é mito. Imagina só? Então eu sugiro que, de tempos em tempos, entre em uma loja, um café ou qualquer lugar com aquecimento. Principalmente em Nova Iorque, onde o turismo é feito basicamente a pé.

Falando nisso, uma outra coisa a se prestar atenção é no trabalho que dá entrar e sair dos lugares, pois geralmente é um choque térmico: dentro é muito quente e fora é muito frio. Então se prepare para a constante: bota-casaco-tira-casaco. O ideal é que você pense nisso na hora de montar a produção do dia. Peças fáceis de tirar e colocar.

Bom, começando de baixo para cima.

Botas e botas. Tênis podem ser uma boa ideia se forem daqueles super acolchoados e de couro. Aquele que é furadinho ou um All Star (aqui eles chavam de Converse, sabia?) passam o frio todo pelo tecido.

Não é preciso reparar muito para notar que o povo aqui tem marcas preferidas quando chega o inverno. A tal da UGG é uma marca Australiana que vende umas botas hor-ro-ro-sas. E todo mundo tem! Tem de mil cores e alturas de cano. Custa uma nota! Mas depois que você experimentar uma não vai querer saber de outra coisa. Imagina poder andar de pantufa por aí e ser fashion? Pois é, é aquele tipo de artigo que tá, todo mundo sabe que é medonho, mas já faz parte da moda. Existem marcas alternativas, como a Bear Paw (pata de urso, que é mesmo com o que se parece) e lojas que vendem sua versão, a American Eagle tem algumas este inverno. São mais baratas e também muito confortáveis.

Bota de chuva é muitíssimo útil por essas ruas alagadas e cheias de leptospirose. Enquanto a pantufinha citada acima absorveria toda aquela água podre que se acumula da neve e da chuva, calçados de plástico te permitem pisar com tudo na poça (eu sei que é idiota, mas às vezes eu bem miro na parte funda só para tirar uma onda com a galera que tá saltitando pra não se molhar). A Hunter é a marca mais famosa dessas botas, que custa uma nota. Mas essa é a maaais fácil de achar genéricas. O ideal é que você compre uma que tenha um forro dentro, pois elas não são tão quentes, apesar de mais funcionais. E não compre nada muito justo: tem que ter espaço para meias grossas e para as calças que vão dentro.


Para isso, você tem que ter uma calça legging, meia calça grossa ou calça skinny (só para as mulheres, por favor). Porque as botas vão por fora da calça, obviamente. Dependendo da intensidade do frio, use meia calça (ou ciroula, ai céus) por baixo da sua calça jeans (que idealmente teria um quê de stretch). Você não quer nada largo quando se trata da primeira cama de roupa no seu corpo. Sabe porquê? Nosso maior inimigo no inverno: o vento!

Às vezes eu tô congelando na rua, e quando vejo a temperatura no celular nem está tão frio assim. Isso é porque a temperatura do dia é diferente da sensação térmica. Às vezes elas são bem diferentes! Boa parte disso se dá por causa do vento. E ele te persegue, entra por todos os vãos da sua roupa, destroem sua garganta e ouvidos.

Por isso digo que não é uma boa usar uma blusa mais larga, ou espaço entre a calça e o sapato. Tampe tudo primeiro! Se não for usar uma bota (homens, aí está sua deixa), prefira sapatos de cano mais alto ou então uma meia longa, para fazer barreira para o vento. Uma dica é usar uma regata daquelas compridas (aqui são chamadas de tank tops) e justas no corpo por baixo da roupa. Eu sei, existem as tais ciroulas, mas isso é muito coisa de turista!!! Tá tá... deve ser mesmo melhor do que regatas e meia-calça. Então usem!

As orelhas são muuuito importantes de se proteger. Existem diversos modelos de protetores de orelhas, e para quem não quer parecer um boneco, aqui nos camelôs vendem por U$5 um muito discreto, que você põe pela nuca. (Na foto ele não está tão discreto, mas acho que é a intenção do merchan).

Gorros também servem para isso. Aliás, eu acho que cobrir a cabeça em si não é muito o propósito (a não se que você seja careca), o que importante de se manter aquecido são as orelhas!

Existem um trilhão de modelos diferentes de casacos para o frio. Eu sou a favor de ter um potente (verifique se ele tapa bem nas mangas, para não entrar frio por lá) e uns mais largos para conterem camadas de roupa dentro. Tem dias que eu to sem saco e ponho só o grandão, mas também tem horas que quero variar e pra isso componho diferentes combinações com suéteres, trench coat (que é bom pra chuva, mas não esquenta muito, portanto tem que ter agasalhos embaixo), malhas, etc. É fácil se entediar com a mesmice das roupas de inverno... Ah, e moletom é bom para dormir gente, e só! Ele não cabe embaixo de nenhum outro casaco e nem tampouco é potente o suficiente para dar conta do trabalho sozinho.

Cachecol e luvas são ítens essenciais. Dica: compre aqui nos camelôs. Você gasta muito menos e os produtos são realmente de boa qualidade. As lojas no Brasil não sabem fazer roupas de frio direito, e o pior, cobram os tubos por elas! Por aqui o que não falta são ofertas de vestuário para o inverno, e bem mais barato. Viaje com um casaco, mas deixe para comprar o resto no estrangeiro. Caso você queira investir, pesquise a marca The North Face, que é uma das mais pedidas pelo povo aqui. Vende casacos naquele estilo "inflável", que são os mais confortáveis.


É isso, cada um com seu modelito anti-freeze (há!). Só não subestimem o frio, ainda mais se o seu destino for ainda mais congelante, como a Alemanha ou sei lá, o Alaska! Existem níveis de frio, isso é o mais importante de prestar atenção. Para esquiar há roupas especializadas. Descrevi aqui o que acho importante para o frio nova-iorquino, que é bem rigoroso, mas também ninguém vai ficar dando sopa pela rua, né?

Visitem o arquivo do WikiHow de como se vestir para o frio! Assistam o vídeo de como se vestir para uma tempestade de neve, que começa com: Se você não quiser se parecer com o Jack Nicholson em "O Iluminado"..., imperdível!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

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Passageiros de primeira viagem

Existem diversas formas de viajar para os EUA. De barco, de jangada, como a Sol, através de um ‘Coyote’, como o El Andy… Mas se você é careta como eu, o avião será sua primeira (e única!) opção. Mas diversos aspectos desse trajeto - ainda que mais simples do que se chegar numa balsa para imigrantes ilegais - podem complicar sua viagem.


Fazendo as malas

É aquela velha história: Faça o que eu digo, não faça o que eu faço.

As minhas malas sempre ultrapassam o peso, eu pareço uma maluca muambeira em toda viagem que eu faço. Sabe aquelas cenas ridículas daquelas pessoas no guichê do check in abrindo as malas ? (Da última vez meu namorado perguntou se eu não apreciava a privacidade) Sou eu.

O Brasil é o país dos muambeiros, então as companhias aéreas permitem que se leve (e traga) 2 malas despachadas de 70 libras cada uma (enquanto para a Europa, por exemplo, só se pode levar uma de 50 libras!). Além disso, você pode levar dois ítens “pessoais”, como uma bolsa e uma malinha que caiba no compartimento dentro do avião (carry-on bag). Também pode levar uma bolsa de laptop… Isso não é muito fiscalizado em vôos internacionais. Se você for viajar por dentro dos EUA é mais rígido. O importante é você entrar no site da companhia aérea pela qual está viajando e checar as especificações para a bagagem em cada caso. Nada pior do que uma surpresinha no check-in. E às vezes, pagar sobre-peso em uma mala é mais caro do que pagar uma mala extra intera (been there, done that).


O que vai aonde?

Isso já é bem sabido, mas não custa lembrar. Não pode levar líquido nas malas de mão. Às vezes as pessoas focam só na bolsa e esquecem que a malinha pequena está cheia de perfumes e desodorantes. Tudo o que vai com você dentro do avião – o que não é despachado – deve estar líquido-free. Mas tem as exceções: você pode levar uma quantidade X de líquido (geralmente até 100ml), dentro de um saquinho plástico estilo zip-loc. Em alguns aeroportos eles disponibilizam para os esquecidos, mas eu sempre levo um comigo no caso de ter esquecido e tiver algum líquido para “embalar”. De novo, é bom checar antes de sair de casa no site da companhia e/ou aeroporto.

Aqui tem uma lista dos ítens permitidos/proibidos nas bagagens.


Não é aconselhado levar ítens de valor nas malas despachadas. As pessoas fazem isso por dois motivos: 1- Geralmente são pesados 2- Acham que não vão chamar a atenção da alfândega se “esconderem” nas malas.

O que acontece, e garanto que todo mundo sabe de uma história dessas, é que infelizmente, as coisas podem sumir da hora que você entrega até a hora que você pega a mala. Ainda mais se um dos pontos for o Brasil. Talvez colocar cadeado adiante, no sentido de o mau-caráter em questão ficar com preguiça de fuçar as malas trancadas e dar preferência às que são “só abrir”. Mas saiba que 1- Os cadeados de mala são facilmente arrombados; 2- Os fiscais têm direito por lei de arrombá-los para ver o que tem dentro da sua mala; 3- Se eu fosse um ladrão acho que ia tentar a sorte nas malas protegidas!

Se você está achando que suas malas estão muito pesadas, fica a dica: Entulhe tudo de mais pesado na mala de mão. Sim, você vai sofrer para carregar, mas não vai ter que pagar sobre-peso por isso. Ela não é pesada. E o mais importante: Faça cara de que está leve!

Dica na hora de comprar malas: Pode ser barata, pode ser Linda, pode ser da Louis Vuitton – ao comprar, levante a mala vazia para ver se ela própria já não é pesada por si só. Uma mala leve ajuda muito na economia de peso! Geralmente as malas “duras” tendem a ser mais pesadas. E também não compre uma mala gigante, não adianta. Você enche ela e no fim ela ultrapassa o peso permitido (been there, done that 2).

Se você for uma pessoa sensata e conseguir sair de casa com uma mala só, o legal é levar uma daquelas mala-saco dentro da sua mala. Aí você não tem que comprar outra mala para trazer as compras da sua viagem, se não couber tudo na única mala que você levou (hmm, não tão sensato assim, han?). Mas, caso seja necessário, dicas para comprar malas de última hora em NY: 1- Não compre no Times Square. Aliás, não compre nada no Times Square, que ideia. 2- Se você quiser gastar o mínimo possível, vá em Chinatown. Não precisa adentrar o bairro profundamente, bem na saída do metrô (Canal Street) já tem umas lojas que vendem todo o tipo de mala. E lembre-se: negocie! 3- Já se você pensa: 'Já que eu vou comprar uma mala, prefiro gastar um pouco mais mas não ter que jogá-la fora por ter se desfeito durante o vôo', uma boa é ir à Century 21. É uma loja bem grande e famosa aqui em NY, que vende boas marcas mais barato. Eu pessoalmente não me aventuro a ir lá muito, Outlet é na Flórida, já falei! Mas comprei uma mala muito boa lá por U$70, que originalmente custava U$399. Bom, né?


Dentro do avião

Ao comprar a passagem ou no check in você pode selecionar seu assento. Window/Center/Aisle – Janela/Meio/Corredor. Cada um tem sua preferência – eu fico dividida. Gosto de sentar na janela para poder olhar para fora e decidir a hora que quero abrir ou fechar a mesma. E principalmente porque é possível se encostar e fica melhor para dormir. Mas ao mesmo tempo, vou ao banheiro mil vezes e gosto de ficar no corredor por isso. E também porque você tem mais liberdade de se esticar (em viagens longas é fundamental). Mas ficar no meio é sacanagem…!

Eu não entendo porque as pessoas fazem fila para entrar no avião. Geralmente são os brasileiros que formam aquela fila quilométrica na porta de embarque, e a comissária fica gritando no microfone: Por favor, permaneçam sentados até que chamemos suas zonas! O avião é dividido em +- 5 zonas, dependendo do tamanho. A sua zona estará impressa na passagem. Primeiro entra a classe executiva e depois vão entrando as últimas zonas, no fundo do avião, para ir enchendo gradualmente. E têm lugar marcado né, mas nãaaao, o povo quer ficar de pé entulhando e atrapalhando o embarque. A única coisa que pode acontecer se você for um dos últimos a entrar é acabar o espaço nos compartimentos para as malas de mão. Aí você entrega sua mala para a aeromoça e eles despacham. Mas isso é muito raro!

Eu tenho muitos problemas em dormir em aviões. Não possuo esse dom, essa habilidade. Mas há anos venho desenvolvendo minha lista de ítens que podem me ajudar a dar uma cochilada e/ou passar as agonizantes horas do vôo em paz:


Entretenimento

Um livro, o Ipod, um filme ou série de TV e uma revista. Assim como não consigo prever as roupas que vou usar, por isso levo todas, preciso ter opções de variadas de distração a bordo! Não esqueça dos fones de ouvido (mas se esquecer, eles vendem por U$5)!

Zzzzz…

Meu nariz definitivamente é a parte do meu corpo que detesta aviões. O ar condicionado às vezes é super gelado e aí já era. Levo sempre um Sorine (dentro do Zip Loc, lembram?), um Tylenol para Sinusite (minha nova aquisição… a sinusite, não o Tylenol), Resfenol.. a turma toda! Também levo um lipbalm (popularmente conhecido como manteiga de cacau), e um creme para as mãos. Fica tudo seco! No mais é isso aí… já ouvi dizer de gente que toma Dramin para dormir, pra mim nada funciona. Na semana passada tomei vinho no jantar por dica de um amigo para que eu dormisse, eu não só não fiquei com sono como fiquei bêbada (eu sou assim, em um segundo!)! Então aconselho que cada um procure a melhor forma de apagar.

E eu também não esqueço meu kit sono: almofada inflável – aquela que põe em volta do pescoço, eu tenho a inflável pois ocupa pouco espaço – e mascara para tapar a claridade.


Burocracia

Primeiramente, tire o passaporte e o visto. Ok? Feito isto, as instruções abaixo podem lhe ser úteis:

Quando se faz escala, por exemplo, Rio – Miami – NY, a burocracia fica toda na primeira parada no país. Ou seja, seria em Miami que você passaria pela alfândega e imigração. Seus formulários ficam todos lá. Chegando em NY é só seguir as placas de Baggage Claim, pegar as malas e sair direto para a porta.

As aeromoças no avião perguntarão de onde você é, e te entregarão dois formulários (no caso de você estar indo para for a do seu país): o formulário azul da alfândega – que você respnde não para tudo (se está levando alimentos, etc) e o I-94, que não parece, mas é um documento muito importante e que deverá ser mantido junto com o passaporte e entregue quando você deixar o país. No caso de perda, não é o fim do mundo… apenas o fim da sua conta bancária, good luck my friend.

O I-94 é o formulário de entrada no país – é nele que a pessoa responsável pela sua imigração no país vai carimbar a autorização de entrada e escrever até quando você poderá permanecer nos EUA. Parte do formulário fica com ele, e a parte debaixo com você.

Aqui você pode ver como ele é.

(Só se preenche a primeira folha, não o verso)

É provável que, ao dizer que você e brasileiro, a aeromoça te dê o I-94 em português (de Portugal). Apelido é o sobrenome e Nome Próprio é o primeiro nome. Neste formulário você preenche dados do seu Passaporte (como validade, data de expedição, número), Visto (país que expediu e validade), Companhia aérea e Número do vôo (ex: American Airlines, vôo 905 – AA905 / Us Airways vôo 1452 – US1452), país de residência e país de embarque (geralmente o mesmo) e o endereço e telefone do local onde ficará nos EUA.

(É sempre importante ter todos os dados do seu destino anotados, e sempre andar com moedas de U$0,25 para poder ligar para um celular de telefones públicos)

Ao desembarcar uma dica: Não adianta levantar assim que o avião parar, ainda leva tempo para abrirem a porta e liberarem a saída dos passageiros. Mas também não deixe todo mundo sair na sua frente, pois a fila para a imigração costuma ficar grande, principalmente para turistas.

Assim que sair do avião, o próximo passo é passar pela imigração. É lá que você entrega seu passaporte, o I-94 e o formulário de alfândega (o policial te devolve esse, para que seja entregue depois que você pegar suas malas). Ele te fará algumas perguntas, como o motivo da sua viagem, por quanto tempo você vai ficar, com quem você se encontrar, etc. Pedirá as digitais dos seus 4 dedos da mão direita (isso pode variar) e tirará uma foto sua. Após todos os carimbos e a liberação é hora de ir para a esteira pegar as malas.

Não há muito controle sobre quem pega qual mala, apesar de, ao fazer o check in no país de embarque, você receber uma etiqueta de identificação para cada mala despachada. Eu não sei porque, mas sempre fico com medo que peguem a minha mala. Então fique de olho na esteira.

Segurança

Há algumas diferenças entre seguranças de um lugar ou de outro, mas o pior caso, que é sempre o dos EUA, consiste de: Raio X em que você terá que colocar em bandejas todos os seus pertences (por favor, deixe a roupa). Os notebooks e videogames vão separados, sem capa. Também pedem para você tirar os sapatos, casaco, cachecol e cinto. Por ser tão demorado, indico que você deixe para enrolar e relaxar depois de ter passado pelo Raio X, não antes.

Alguns vôos são realmente muito neuróticos. Voltando da Alemanha para NY, tive que repetir as perguntas de segurança (Você mesmo fez sua mala? Você deixou seus pertences em algum lugar? Recebeu algo de alguém para levar? Você pensa em explodir o avião? Se sim, como?) e fui revistada novamente na porta do avião! E quando vou para o Brasil, sempre temos que passar por mais uma revista de passaporte também na porta de embarque.

Heinnn? Entendendo as placas

Bagagge Claim: Pegar as malas

Carrousel: Esteira onde as malas são liberadas (sempre checar no painel eletrônico em cima da esteira se são as malas do seu vôo)

Departure: Embarque/Partida

Arrival: Desembarque/Chegada

Customs: Alfândega (onde você entrega o formulário azul preenchido, dizendo que não está levando alimentos, etc. Você passa por lá com toda a sua bagagem, após pega-la na esteira)

Ground Transportation: Táxis, Ônibus e Shuttle.

Achei um site bacana com dicas para viajantes, o Rodei. Vale a pena!


As primeiras vezes são sempre mais tensas, mas no fundo é fácil. E uma coisa muito triste é perceber como em geral, os brasileiros são mal educados. As aeromoças sempre têm que ficar repetindo para todo mundo sentar, para não desafivelar os cintos (isso tudo só na decolagem e pouso!). É sempre muito barulho, um querendo passar na frente do outro, todos grudados na esteira das malas - porque não dar um espacinho e, quando sua mala chegar, ir buscá-la?


Boa viagem!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

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I'm young and I'm underpaid


O que eu não mencionei no post abaixo (o que diz que o meu verão foi super molezinha) é que, como todo jovem universitário americano (eu sei que eu não sou nem americana e nem mais universitária, mas tudo faz parte da minha pesquisa de campo), arrumei um summer job. Como eu fiquei na Flórida mais tempo do que esperava, comecei a me sentir culpada (esse sistema burguês capitalista realmente tem influência sobre mim) e resolvi ir à luta.

Desde que eu comecei a faculdade tenho me especializados em sub-empregos. Já fui vendedora de loja (no Up Fashion Bazar, na Oh, Boy! Com cada blusa custando R$10 tinha que fazer milagre para ganhar comissão), fotógrafa de eventos, três estágios (por melhor que seja, qualquer estágio se encaixa na categoria 'sub', né?): assessoria de imprensa da Editora Zahar, Globo e Centro de Informações da ONU, e o meu preferido - rufem os tambores - animadora de festa infantil! Não posso nem começar a enumerar as situações que passei nesse emprego, mas envolvem me fantasiar de Pequena Sereia no Shopping Leblon. Tá ok?

Isso tudo para demonstrar que, não, não tenho problemas em trabalhar com nada! E, lógico, é sempre bom ver um dinheirinho entrando ao invés de uma enxurrada apenas saindo. Aí eu ia começar a procurar um emprego aqui. Peguei o carro e fui pelas ruas muito agitadas (not) de Fort Lauderdale analisando minhas possibilidades em tempos de crise. Pedi emprego no Friday's, na Blockbuster (essa era a minha maior aposta!), e até para o meu pai (que me veio com a seguinte vaga: secretária temporária. puxa, brigada pai). Depois de perder os critérios de escolha, fui para o shopping e me joguei nas applications.

Eu tinha um grande dilema: emprego no setor alimentício ou no retail (como eles chamas as lojas)? Ser garçonete ou bartender tem o grande benefício das gorjetas, que podem chegar a 20%. Mas eu tenho nojo de tocar na comida dos outros. Imagina... tem gente muito nojenta nesse mundo. Mas aí se eu fosse trabalhar em loja, poderia ser um tiro no pé. Eu sou uma louca consumista sem critérios e freios (me sinto melhor agora que tirei isso do peito). Assim sendo, como já experienciei antes, eu ia acabar comprando tudo da própria loja. Afinal, tem coisas que a gente pode resistir depois de uma visita à loja. Mas se eu achar um vestido bonitinho, e tiver que dobrar exemplares dele todos os dias e me deparar com 30 peças do mesmo no estoque, eu não me controlo.

A ideia era arrumar uma loja que não vendesse nada que eu gostasse e/ou pudesse usar. (Uma vez pedi emprego na Baby Gap em NY. Se bem que com a coleção da Stella McCartney eu bem podia me expremer nuns ítens XXL). Mas depois de um tempo, ansiosa e impaciente como sou, vi que eu não podia ficar escolhendo. O que me levou ao meu 3-week-dreamjob: Abercrombie and Fitch, mes amis.

Eu tenho certeza que não preciso descrever e nem explicar o que é essa loja, visto que os brasileiros são fascinados pela mesma. Cada brasileiro que entrava lá, saía com mais peças que o permitido pela loja - 2o por cliente. Aí eles começavam a dividir entre os amigos... Os gerentes achavam que eles iam revender as peças, mas eles juravam que era pra tia, pros irmãos, pra prima...

Duas semanas antes estava falando mal da com meus amigos: "É, essa loja é muito ridícula, vendem a mesma coisa há séculos, os vendedores se acham a última bolacha do pacote (adoro essa expressão), e ainda é cara!". Pois bem, entrei lá, e aquele cheiro (o perfume é o Fierce, como respondia todos os dias para vários clientes que queriam cheirar como a própria loja) e a música me contagiaram e me levaram ao computador de inscrições.

Dois dias depois, a gerente me ligou e lá fui eu para a entrevista. No carro, pensei: "Putz, eu não sei nada sobre a loja! O que será que eles vão me perguntar?" Pois bem, perguntei ao Google. Ca-ra-cou, tem todos os detalhes lá. Para começar, eles diziam que você deveria vestir algo da própria loja ou da Hollister (que é deles, só mais barata e mais escura). Lá fui eu vestida com um coletinho da American Eagle - maior concorrente. Ok ok... talvez ninguém repare. Aí cheguei lá e tinham mais dois garotos para a entrevista. A gerente pergunta: "Para qual posição você está aplicando?" A minha cara de 'existe mais de uma posição?' entregou meu amadorismo e eu falei, na maior: "Hmmm... para trabalhar aqui?".

O fato é, descobri que existem dois tipos de emprego: Model e Impact. Os dois garotos - diga-se de passagem, já vestidos com o uniforme da loja e parecendo robôs, com respostas decoradas e puxa-sacos - queriam ser models. Eu falei que eu não estava aplicando para ser modelo, pois achei que era modelo mesmo, aqueles semi-nus que estampam as sacolas. Quem sou eu, néam?

Ah, e como meu lindo e maravilhoso irmão Marco foi chamado para trabalhar lá há uns 2 anos (sim, eles convidam clientes que eles achem que se encaixam no padrão), eu liguei pra ele para dicas na entrevista (isso tudo no carro, ao mesmo tempo que dava um google nas perguntas). Li que a Abercrombie é vista como uma loja racista, que responde por diversos processos e que só valoriza o "All-American lifestyle". As coleções e o estilo da loja se baseiam na juventude americana das Ivy Leagues. Mas é claro, como todo o lugar preconceituoso dos Estados Unidos eles têm que tem pelo menos um de cada exemplar: Negro, Asiático e Latino no meio dos loirinhos.

E introduziram a seguinte pergunta nas entrevistas: "O que você sabe sobre diversidade?". Os dois branquelos responderam a mesma coisa, tudo decorado de alguma parte do site da declaração dos direitos humanos ("Ah, é onde tem preto e branco e todos vivem em paz, blá"). Mas também, né? Que pergunta idiota. Sei lá, pô, todo mundo sabe o que é diversidade. Mas seguindo a dica do meu irmão mandei logo: "Ah eu sei muito sobre diversidade, eu venho do Brasil (que é sempre um mistério para os gringos), meu pai é africano (há!!! eu sou afrodescendente E latina, sério... me contratando eles matam metade da cota) e minha mãe mora na Europa. Além do que, venho de NY, que o lugar mais misturado do mundo." Slapt! (entenda essa onomatopeia como quiser, pode ser eu chicoteando a vaga ou a vaga me chicoteando). Fui contratada.


Logo depois eu pensei 'Nossa, que ideia de girico, eu vou embora em menos de um mês!!!' Mas meu pai sempre me disse que esses empregos aqui nos EUA são assim mesmo, não têm nada de contrato, você sai quando quiser, um beijo me liga. Lá fui eu com a maior cara de quem queria começar uma carreira.

Bom, o uniforme (a policy, como eles chamam) consiste de dark skinny jeans + blusa de botão de manga comprida + all star ou chinelos. Sem piercing (eu tive que tirar o meu do nariz), só podia usar um relógio e um brinco pequeno (eu tinha que esconder meu 2o e 3o furo com o cabelo). Sem maquiagem, cabelos naturais. Nada de unhas coloridas - essa foi a pior parte!

Você teoricamente não é obrigado a comprar nada, mas nada que você usa está bom, então é mais fácil logo se render e adquirir as peças usando seu desconto de "associate". Certas peças têm 50% de desconto (duas blusas, um tipo de calça e um chinelo). O resto todo você tem 30%. Comprei duas blusas, o chinelo (meu all star rosa e havaiana preta não faziam parte da cartela de cores permitidas) e a calça, que é a famosa Jegging - Jeans + Legging! A proposta é ela se parecer uma calça jeans, mas ser confortável como uma legging. E é verdade mesmo... enfim, fiquei toda Abercrombie-like. Para os meninos, também é calça jeans escura, all star ou chinelo de couro, cinto de couro e blusa de botão. Mas aí ainda tem os detalhes: as blusas têm que estar perfeitamente dobradas até o cotovelo e "tuck in" na frente.

É o seguinte: a loja que eu trabalhei (Town Center at Boca Raton) tem 3,5 gerentes. Um deles está em treinamento e é claramente escravizado pelos outros. A gente chefe é pequeninha e muito enfezada. A outra é a mais legal (a que me entrevistou) e calma, e o último é o fanfarrão da galera. Explicando: os Impacters são os que trabalham mais no estoque, recebendo as caixas, colocando alarme, dobrando e colocando no lugar certo. Também arrumam toda a loja, penduranto e dobrando as roupas. Os modelos ficam na loja recepcionando e ajudando os clientes, cuidando dos provadores e trabalhando no caixa. Mas eles também são responsáveis por manter a loja arrumada. Todos ganham a mesma coisa (U$7,25/h).

Depois de uma semana dei graças a Deus por sem Impact, o estoque é o lugar mais divertido da loja. Tá, isso pode soar como papo de recalque (afinal, todo mundo sabe que os menos favorecidos ficam escondidos no estoque!), mas acreditem, ficar na porta da loja com um sorriso falso o dia todo falando para todo mundo que entra: "Hey, did you know our Jeans can make you a star?" (*Você sabia que nossos jeans podem fazer de você uma estrela?) não é pra mim. Malandra como sou, arrumei um jeito de montar caixas e baldes como minha cadeira particular lá atrás, que é mais claro e a música é ótima. Para quem nunca foi a uma Abercrombie, a loja é geralmente escura, e com uma música bem alta e estilo-festa. Cada estação tem sua seleção de músicas, a desse verão era ótima (clica aqui e olha as de Julho). Mas sabe quando você já decora até a ordem das músicas? Já emenda o final de uma com o começo da outra. Pois é, ficar na loja o dia todo é meio perturbador. Já o estoque, é um lugar mais liberal, não porque eles queiram, mas geralmente os gerentes não ficam lá, então dá para conversar, enrolar, usar o celular... E as músicas são muito boas, além de variadas, o que é importante para a sanidade da pessoa.

Eu fiz de tudo. Fiquei no caixa, nos provadores, ajudei clientes, organizei estoque, montei manequins... O horário variava, era geralmente de 4 a 6 horas cada turno. Na minha primeira semana fiz um turno de 9 horas e quase morri. Tudo doía... você vai se acostumando a ficar de pé por tanto tempo. O ruim é que os dias mais cheios eram geralmente no fim de semana, claro. Eu não conseguiria ficar por tanto tempo sem meus fins de semana (não depois de ter animado festas infantis e perder toda sexta, sábado e domingo dos meus 1os períodos da faculdade).

Não sabia o que iria encontrar quando começasse a trabalhar lá. Já no primeiro dia, fui com o look policy todo errado, e depois de muitas advertências.... ainda continuava errando! Sempre fui meio rebelde mesmo...
O pessoal, que quando você é cliente parece super amigável e feliz da vida, na verdade é bem mais baixo astral. Todo mundo faz tudo muito devagar, sem muita motivação! As minhas conclusões são que quem vai trabalhar lá espera mais do que é oferecido - começando pelo salário. O salário mínimo (minimum wage) na Flórida é de U$7,25 - exatamente o que é pago pela Abercrombie. Não tenho ideia de quanto os gerentes ganham, mas sei que eles trabalham demais.

Num turno de 5 horas, você pode tirar um break de 15 minutos. Ou de 30, mas aí você tem que "clock out", o que te faz não ganhar por aquela meia hora tirada. No começo eu tirava sempre meia hora, afinal, 15 minutos era o tempo de chegar na Starbucks e pedir o lanche. Mas, vamos lá: um café e um croissant com cream cheese (sempre saudável) dá quase U$7. Se, além de passar uma hora trabalhando para pagar meu lanchinho, ainda perder mais de U$3,5 por ter saído 30 minutos, realmente dá aquele desânimo! Então aprendi a malandragem: ninguém dá clock out, eles saem por 15 minutos e trazem o lanche para o estoque. Até porque se você não registrar, não dá para saber ao certo quanto tempo você ficou lá fora! Alou, Brasil?

Isso ajudou um pouco, mas realmente, se você for contabilizar as horas trabalhadas, o dinheiro com almoço, gasolina.. uiui. É melhor nem contar! E como o dinheiro vem por hora e não por comissão, tudo é em passo de tartaruga. Por isso que no Brasil as vendedoras querem uma relação tão íntima com a gente! Sábias lojas...

O incentivo para (não) trabalhar lá ainda é maior quando a sua incumbência é abotoar aqueles botõezinhos da ponta da gola da blusa social de toda a loja. Geeente, quando eu achei que já tinha sofrido tudo, me vem o gerente com essa maravilha. Tudo bem chegar lá às 6 da manhã (sim, eu disse 6.) alguns dias... tudo bem dobrar a mesa das blusas pólo enquanto as clientes vão desdobrando uma por uma (aparentemente a Small Rosa é diferente da Small Verde)... Tudo bem furar meus dedos colocando alarme nas roupas. Mas isso?!!!

Na minha terceira blusa com botões-desabotoados, eu já me vi atracada com a tesoura esfaqueando a m* da casa que o botão não entrava!!! Sabe? Para ajudar no deslisamento... Quando eu olho pro lado, tá o gerente parado me olhando e balançando a cabeça no ritmo de: eu-não-acredito-que-você-está-fazendo-isso. Mas vocês acham que isso me deteve?! Arrumei uma técnica de dechavamento da tesoura nos bolsos de cada camisa, e voilá. Aí quando acabei todas as blusas da loja, com a cara mais lavada do mundo ele me leva pro estoque, onde estão todas as irmãs (primas, tias, avós) das blusas sociais e fala: "Ainda tem essas.. para o seu trabalho não ser em vão.". Como assim em vão??! Ele acha que por algum momento eu ia pensar que teria sido em vão abotoar aquilo tudo?! Nananinanão! Eu não podia me importar menos com aquelas do estoque! Mas tudo bem... Deus há de me recompensar.

Fora isso, devo dizer que minhas habilidades de dobra de roupa estão muitíssimo desenvolvidas. Cada peça de roupa tem um tipo específico de dobra, com nome e tudo. E é um tipo de dobra para guardar no estoque e outro tipo para colocar para vender. Depois de uma semana eu já tinha decorado tudo, o que facilita bastante o trabalho.



Não posso ser injusta, a loja tem muitas qualidades. Não é a toa que é o sucesso enorme que é. Apesar do estilo ser muito mais-do-mesmo (quantas variações de xadrez azul há no mundo?), as roupas são de excelente qualidade e fazem muito o meu gosto. Mas o que mais me impressionou foi a organização de tudo.

Como existem milhares de Abercrombies pelo mundo, eles fazem questão de manter uma unidade. Todas as lojas têm que se parecer ao máximo. Quando muda a coleção, cada loja recebe uma nova planta, nos mínimos detalhes. Desde onde as novas roupas vão ficar, passando por quantos "exemplares" de cada tamanho devem ser expostos, até a altura que a manga das blusas penduradas devem ser dobradas. O que eu mais gostei de fazer lá foi montar os manequins. Dá trabalho, mas tem instruções de como fazer tudo!


Ah, e eu era uma das mais velhas lá. Esse emprego é mais para o pessoal que está entrando na faculdade. Os menores de 18 anos trabalham na Abercrombie de crianças.

Foi uma ótima experiência, praticamente uma prova do que seria um high school nos EUA. Um falando mal do outro, intrigas, reclamações, organizações de festas-com-id-falsa. Essas coisas da juventude americana! Tinha um pessoal legal, me diverti bastante.

Agora que voltei para NY, estou pensando se vou me aventurar novamente no mundo dos 'underpaids'. Eu sempre achei que levava jeito para dog walker...


Update: Quero registrar aqui que além de tudo, ainda tive que, a milhas e milhas de distância ouvir frases de apoio dos meus amigos brasileiros como: "A Abercrombie foi eleita o pior empregador nos EUA" (quem votou não tá ligado nas políticas do Wal Mart!); e "Deve ser difícil ficar ralando enquanto tem pessoas que ganham dinheiro pra ficar paradas e serem bonitas nos corredores."